Roberta Mazzini · 18/08/2025
O CMV é um dos indicadores mais relevantes na gestão de serviços de alimentação, impactando diretamente na lucratividade do negócio; e isso a gente já sabe!
No entanto, existe um conjunto de controles secundários que determinam se esse índice será real ou apenas um número no papel — e o controle de estoque restaurante merece toda sua atenção.
Um estoque bem estruturado e administrado evita perdas, melhora o fluxo de caixa e garante padronização de produtos e receitas. Sem esse cuidado, o CMV pode subir silenciosamente, corroendo a margem de lucro.
O primeiro passo é começar a registrar, podendo ser desde uma planilha estruturada até um sistema de gestão. É fundamental que as entradas, saídas e perdas sejam monitoradas diariamente, além de manter o volume de produtos armazenados de acordo com a sua produção, ou seja, manter o estoque enxuto.
Uma boa gestão de estoque evita desperdícios e compras desnecessárias. Para isso, é fundamental seguir algumas regrinhas práticas.
Definir responsável pelo controle é o primeiro passo essencial.
Conferir as mercadorias na entrada verificando:
•Peso e quantidade corretos
•Qualidade dos produtos
•Temperatura dos refrigerados
•Integridade da embalagem
•Data de validade
•Preço orçado
Sugiro deixar no local do recebimento um espelho das entregas do dia.
Registrar perdas e quebras separadamente para análise posterior é fundamental para o controle de estoque.
Setorizar os insumos por categoria, uso e temperatura, com prateleiras (preferencialmente) identificadas e acessíveis é essencial para uma gestão de estoque eficiente.
Seguir rigorosamente o método PVPS, posicionando produtos com validade mais curta à frente, é uma das práticas mais importantes do controle de estoque restaurante.
Manter os produtos de limpeza em área separada dos demais insumos e manter limpeza e higienização regulares são práticas obrigatórias.
Conferir as câmaras frias e prateleiras diariamente é fundamental para o controle de estoque.
Monitorar o giro dos itens para ajustar compras e evitar excesso de estoque, conforme histórico de vendas. Lembre-se: Estoque alto = Perda alta.
E lembre-se: produto vencido representa risco sanitário e prejuízo, pois o produto deve ser descartado imediatamente.
O inventário é a contagem física dos produtos e deve ser realizado de forma periódica (semanal, quinzenal ou mensal, dependendo do fluxo). Ele serve para comparar o estoque real com o estoque teórico do sistema ou planilha e, também, para identificar desvios.
•Identificação rápida de furtos, desvios ou erros de lançamento
•Ajuste de fichas técnicas com base no consumo real
•Correção de compras excessivas ou insuficientes
Segundo o SEBRAE (2023), negócios de alimentação com controle de estoque estruturado podem reduzir em até 30% as perdas operacionais e melhorar significativamente o CMV.
É importante entender que o estoque é muito mais que um depósito de insumos: ele é um termômetro de eficiência operacional. Um CMV saudável depende diretamente de processos claros, disciplina de registros e inventários frequentes.
Uma vez o controle de estoque implantado, dificilmente você conseguirá trabalhar sem esta ferramenta. É tempo investido no lucro do seu negócio.
Agora te pergunto: seu estoque está sob controle ou é terra de ninguém?
Este conteúdo foi produzido por Roberta Mazzini, colunista convidada do Mundo Food Service. A autora responde integralmente pela apuração, redação e curadoria das informações aqui apresentadas.
Roberta Mazzini é nutricionista e consultora de alimentos, com ampla experiência como gestora de restaurante. Especialista em segurança dos alimentos, atua com foco em transformar boas práticas e redução de desperdícios em resultados concretos para o setor de alimentação fora do lar.
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Referências:
•SENAC São Paulo. Gestão de Estoques em Serviços de Alimentação. São Paulo: Editora SENAC, 2018.
•Oliveira, J. M. Administração de Restaurantes e Serviços de Alimentação. Atlas, 2020.