Idea Shake Digital · 24/05/2025
No dia 24 de maio, o Brasil celebra o Dia Nacional do Café, data que marca o início oficial da colheita do grão no país — um momento importante para a maior nação produtora de café do mundo. Aproveitando essa data simbólica, vamos explicar qual é a diferença entre café tradicional e café especial, além de falar sobre a categoria intermediária: o café gourmet.
Este conteúdo é ideal para quem busca entender os diferentes tipos de café no Brasil, saber como reconhecer um café de qualidade e tomar decisões mais conscientes na hora da compra.
O café tradicional brasileiro é aquele que domina as prateleiras dos supermercados. Ele costuma ser produzido com grãos da espécie Coffea canephora, também conhecida como Robusta ou Conilon, que são mais resistentes e adaptados ao cultivo em larga escala.
Esse tipo de café atende ao gosto popular, mas não passa pelos mesmos critérios rigorosos de avaliação sensorial que os cafés especiais. Por isso, seu preço costuma ser mais acessível — mas isso também significa menor complexidade de aroma e sabor.
O café especial é uma categoria que cresce rapidamente no Brasil e no mundo. Ele precisa, obrigatoriamente, atingir 80 pontos ou mais na escala da SCA (Specialty Coffee Association), com base em critérios técnicos de avaliação sensorial.
Esses grãos geralmente vêm de regiões cafeeiras reconhecidas, como Sul de Minas, Chapada Diamantina, Cerrado Mineiro e Alta Mogiana.
O café gourmet é um tipo de café que se posiciona entre o café tradicional e o café especial. Embora geralmente produzido com grãos Arábica, ele não alcança os 80 pontos exigidos para ser classificado como especial. Ainda assim, apresenta melhor seleção, torra e sabor em relação ao café comum.
Embora café especial e tradicional possam ser cultivados na mesma região, o que determina sua qualidade é o cuidado nos processos de colheita, secagem, torrefação e armazenamento.
“Todo café que sai da árvore tem qualidade. O diferencial está no cuidado ao colher, transportar, secar e torrar”, explica Breno Mesquita, presidente da Comissão Nacional do Café da CNA.
O mercado de cafés especiais valoriza o trabalho de pequenos produtores e incentiva boas práticas agrícolas, promovendo rastreabilidade, sustentabilidade e inovação no campo.
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o consumo interno de café no Brasil cresceu 1,11% em 2024, alcançando 21,92 milhões de sacas. Parte desse crescimento vem do aumento do interesse por cafés diferenciados e da popularização do café como experiência sensorial e estilo de vida.
“As pessoas querem saber de onde vem o grão, como ele foi colhido, quem produziu. Elas buscam autenticidade, história e sensações que vão além do paladar”, diz André Henning, fundador da rede Go Coffee, especializada em cafés especiais.
Além de proporcionar uma experiência mais rica, o café especial ajuda a movimentar a economia local e incentiva o protagonismo de jovens produtores, que vêm se qualificando e inovando para entregar grãos de altíssima qualidade.